7 Dias Para Criar Uma Vida Familiar Mais Presente

O Desafio de 7 Dias Para Criar Uma Vida Familiar Mais Presente

A família está toda em casa.

Mas será que está realmente junta?

O pai está olhando o celular.

A mãe responde mensagens.

Uma criança assiste a vídeos.

A outra está jogando.

Todos dividem o mesmo espaço físico, mas cada pessoa parece estar vivendo em um lugar diferente.

Então alguém diz:

“Precisamos passar mais tempo juntos.”

A intenção é boa.

O problema é que “passar mais tempo juntos” parece uma ideia grande demais.

O que exatamente fazemos?

Guardamos todos os celulares?

Planejamos atividades todos os dias?

Proibimos videogames?

Criamos uma noite familiar?

E por quanto tempo?

Talvez não seja necessário começar com uma transformação radical.

Vamos tentar algo muito menor:

Sete dias.

Durante uma semana, sua família experimentará pequenas mudanças para recuperar momentos que facilmente desaparecem no meio das telas, compromissos, trabalho, escola e rotina.

Não será um desafio para eliminar a tecnologia.

Também não será uma competição para descobrir quem consegue ficar mais horas longe do celular.

Será uma experiência para responder a uma pergunta:

“O que acontece quando criamos intencionalmente espaço para estarmos mais presentes uns com os outros?”

Vamos descobrir.


Antes de começar: o que significa estar presente?

Estar presente não significa necessariamente passar horas fazendo alguma atividade extraordinária.

Às vezes presença é simplesmente:

sentar à mesa sem olhar o telefone,

escutar uma criança terminar uma história,

jogar quinze minutos juntos,

caminhar pelo bairro,

preparar uma refeição,

ler no mesmo ambiente,

ou conversar no carro.

O ponto central é a atenção.

Podemos estar duas horas próximos fisicamente e quase não interagir.

Também podemos ter uma conversa de dez minutos que realmente importa.

Por isso, durante estes sete dias, não tente contabilizar apenas horas offline.

Observe outra coisa:

A qualidade dos momentos que estão surgindo.


Três regras para o desafio

Antes do primeiro dia, combine três princípios com a família.

1. Os adultos participam

Este não é:

“O desafio das crianças ficarem sem celular.”

É um desafio familiar.

Naturalmente, adultos podem precisar utilizar aparelhos para trabalho, chamadas, mapas, banco e outras responsabilidades.

Tudo bem.

Estamos falando principalmente daqueles momentos em que todos poderiam estar juntos, mas cada pessoa acaba absorvida por sua própria tela.


2. Não procure perfeição

Alguém esquecerá.

Uma criança reclamará.

Um dia será corrido.

Talvez vocês não consigam realizar exatamente o planejado.

Continuem.

O objetivo não é conseguir sete dias perfeitos.

É descobrir algumas práticas que valha a pena levar além desses sete dias.


3. Não substitua a tela por uma programação exaustiva

Esse ponto é importante.

Se retirarmos duas horas de entretenimento digital e imediatamente planejarmos duas horas de atividades comandadas pelos pais, talvez tenhamos apenas substituído um excesso por outro.

Deixe também existir:

tédio,

brincadeira livre,

silêncio,

descanso,

conversa espontânea

e tempo para cada pessoa descobrir o que deseja fazer.

Agora podemos começar.


DIA 1 — Uma refeição sem telas

Vamos começar pequeno.

Escolha uma refeição que normalmente reúne boa parte da família.

Pode ser:

café da manhã,

almoço

ou jantar.

Antes de sentarem, celulares e tablets ficam em outro lugar.

Se possível, desliguem também a televisão.

Então façam aquilo que famílias fazem há muito tempo:

Comam juntos.

Não é necessário preparar um jantar especial.

Também não transforme a mesa imediatamente em interrogatório:

“Como foi a escola?”

“O que você aprendeu?”

“Fez a tarefa?”

Experimente perguntas um pouco diferentes:

“Qual foi a melhor coisa que aconteceu hoje?”

“Teve alguma coisa engraçada?”

“Se você pudesse repetir uma parte do dia, qual seria?”

“Aconteceu alguma coisa que te deixou chateado?”

Ou simplesmente deixe a conversa acontecer.

Talvez no primeiro dia exista até um silêncio estranho.

Isso não significa que deu errado.

Talvez vocês apenas tenham esquecido como é uma mesa sem estímulo digital constante.

Missão do Dia 1

Uma refeição inteira sem telas.

Ao terminar, pergunte:

“Foi diferente?”

Só isso.


DIA 2 — Trinta minutos fazendo alguma coisa juntos

Hoje vamos acrescentar uma experiência compartilhada.

Separem apenas 30 minutos.

A regra:

todos fazem alguma coisa juntos e nenhuma tela é necessária.

Pode ser:

  • UNO;
  • Dominó;
  • Baralho;
  • Jenga;
  • Quebra-cabeça;
  • Desenho;
  • Caminhada;
  • Cozinhar alguma coisa;
  • Jogar bola;
  • Organizar fotografias;
  • Montar blocos;
  • Fazer uma sobremesa;
  • Conversar na varanda.

Deixe as crianças ajudarem a escolher.

Existe uma razão para isso.

Uma cultura familiar offline dificilmente se sustenta se os adultos forem sempre os diretores das atividades e as crianças apenas participantes obrigatórios.

Queremos chegar ao ponto em que alguém diga espontaneamente:

“Vamos jogar alguma coisa?”

Então comece dando espaço para escolha.

Missão do Dia 2

30 minutos de atividade familiar sem telas.

Não precisa ultrapassar os 30 minutos.

Mas existe uma possibilidade interessante.

Talvez ninguém queira parar.


DIA 3 — Recupere um momento que a tela ocupou

Hoje será diferente.

Não vamos acrescentar uma nova atividade.

Vamos observar.

Pergunte:

“Em que momento pegamos o celular sem realmente precisar dele?”

Pode ser no carro.

Na mesa.

Enquanto esperamos alguém.

Nos cinco minutos antes de sair de casa.

Na fila.

No sofá.

Antes de dormir.

Escolha um desses pequenos momentos e experimente deixá-lo vazio.

Por exemplo:

Uma viagem curta de carro sem celular.

Agora olhem pela janela.

Conversem.

Ou talvez ninguém fale.

Tudo bem.

Podemos ter esquecido que nem todos os espaços precisam ser preenchidos.

Durante muito tempo, esperar significava simplesmente…

esperar.

O tédio aparecia.

Uma conversa começava.

A pessoa observava o ambiente.

Pensava.

Inventava alguma coisa.

Hoje existe um aparelho no bolso capaz de eliminar praticamente qualquer segundo vazio.

Por isso, recuperar pequenos intervalos pode ser surpreendentemente importante.

Missão do Dia 3

Encontre um momento de 10 a 20 minutos normalmente ocupado por entretenimento digital e deixe-o offline.

Depois observe:

O que aconteceu naquele espaço?


DIA 4 — Faça alguma coisa real com as mãos

Hoje vamos sair do mundo da informação e entrar no mundo das coisas.

Façam alguma atividade que envolva as mãos.

Pode ser extremamente simples:

cozinhar,

plantar,

consertar,

pintar,

desenhar,

dobrar,

construir,

organizar,

assar,

recortar,

montar.

Uma caixa de papelão pode virar uma construção.

Farinha, ovos e alguns ingredientes podem virar biscoitos.

Algumas sementes podem começar uma pequena horta.

Uma pilha de fotografias pode virar um álbum.

A importância não está no resultado perfeito.

Está na experiência concreta.

Existe algo particularmente interessante em olhar para alguma coisa depois e poder dizer:

“Nós fizemos isso.”

Missão do Dia 4

Criar, preparar, construir ou organizar alguma coisa juntos.

E resista à tentação de transformar imediatamente o resultado em conteúdo para publicar.

Talvez aquilo possa simplesmente pertencer à família.


DIA 5 — Faça uma pergunta e realmente escute

Hoje não precisamos de jogo.

Nem papelão.

Nem receitas.

Precisamos apenas conversar.

Escolha um momento tranquilo.

Então faça uma pergunta que normalmente não faria.

Para uma criança:

“O que você gostaria que fizéssemos mais juntos?”

“Qual é a coisa mais divertida que fazemos em família?”

“Tem alguma coisa na escola que está sendo difícil?”

Para crianças maiores:

“O que os adultos não entendem sobre crianças da sua idade?”

Para adolescentes:

“Se você pudesse mudar uma coisa na nossa rotina familiar, o que mudaria?”

Existe uma regra importante:

não faça a pergunta se você não estiver disposto a ouvir a resposta.

Se seu filho disser:

“Você fica muito no celular.”

Talvez nossa primeira reação seja justificar:

“Mas eu estou trabalhando!”

Talvez seja verdade.

Mas antes de responder, podemos perguntar:

“Quando você sente mais isso?”

Estamos tentando compreender.

Presença também é oferecer atenção suficiente para que a outra pessoa consiga terminar aquilo que começou a dizer.

Missão do Dia 5

Tenha uma conversa de pelo menos dez minutos com atenção completa.

Celular longe.

Sem televisão ao fundo.

Sem tentar fazer três coisas simultaneamente.

Apenas escute.


DIA 6 — Saia de casa sem transformar o passeio em evento digital

Hoje vamos para fora.

Não precisa ser um passeio caro.

Pode ser:

  • Caminhar pelo bairro;
  • Ir ao parque;
  • Jogar bola;
  • Visitar uma biblioteca;
  • Fazer um piquenique;
  • Andar de bicicleta;
  • Conhecer uma trilha;
  • Ir a uma praça;
  • Observar pássaros;
  • Sentar em algum lugar agradável.

O celular pode ir junto por necessidade ou segurança.

Mas tente deixá-lo guardado.

Não precisamos fotografar tudo.

Não precisamos postar.

Não precisamos verificar mensagens a cada poucos minutos.

Talvez a criança encontre uma pedra.

Uma folha.

Um inseto.

Talvez queira correr.

Talvez vocês conversem.

Talvez simplesmente caminhem.

Permita que aquela experiência aconteça antes de pensar em registrá-la.

Missão do Dia 6

Pelo menos 30 minutos fora de casa com o objetivo principal de estar juntos.


DIA 7 — Crie uma pequena tradição

Chegamos ao último dia.

Agora não queremos simplesmente terminar o desafio.

Queremos descobrir:

“Existe alguma coisa desta semana que vale a pena continuar?”

Sentem-se juntos.

Façam três perguntas.

O que foi mais divertido?

Talvez a caminhada.

Talvez o jogo.

Talvez cozinhar.

Talvez surpreendentemente tenha sido o jantar.

O que foi mais difícil?

Guardar o telefone?

O tédio?

Encontrar horário para todos?

Fazer os adultos participarem?

Escute as respostas sem tentar defender o desafio.

O que queremos repetir?

Essa é a pergunta principal.

Escolham apenas uma coisa.

Por exemplo:

“Quarta-feira depois do jantar jogaremos alguma coisa.”

Ou:

“Domingo de manhã será nosso passeio.”

Ou simplesmente:

“Celulares não participam do jantar.”

Pronto.

Vocês acabaram de criar o começo de uma tradição familiar.

Missão do Dia 7

Escolher uma prática da semana para continuar durante os próximos 30 dias.


O desafio completo

DiaDesafio
1Fazer uma refeição sem telas
2Passar 30 minutos fazendo algo juntos
3Recuperar um pequeno momento normalmente ocupado pela tela
4Fazer alguma coisa com as mãos
5Ter uma conversa e realmente escutar
6Fazer uma atividade fora de casa
7Escolher uma tradição para continuar

Perceba uma coisa.

Nenhum desses desafios exige eliminar completamente celulares, televisão, videogames ou internet.

A proposta é outra:

criar momentos em que a tecnologia deixa de ocupar o centro.


E se as crianças reclamarem?

É possível.

Principalmente se determinados hábitos já estiverem muito estabelecidos.

Você anuncia:

“Hoje vamos guardar os celulares durante o jantar.”

E alguém responde:

“Por quê?”

Ou:

“Isso é muito chato.”

Não precisamos transformar a reação numa guerra.

Explique de maneira simples:

“Queremos experimentar durante uma semana passar alguns momentos mais juntos. Nós, adultos, também vamos participar.”

Depois mantenha o combinado.

A reclamação inicial não determina se a experiência será boa ou ruim.


E se os pais falharem?

Pode acontecer algo quase cômico.

O pai anuncia o desafio de sete dias.

Cinco minutos depois…

pega o celular.

A criança imediatamente observa:

“Você também está usando!”

Ela tem razão.

Guarde.

Não precisamos apresentar uma defesa de quinze minutos.

Podemos simplesmente dizer:

“É verdade. Esqueci.”

Existe algo poderoso quando a criança percebe que as regras familiares também alcançam os adultos.


Não transforme presença em performance

Existe outro risco.

A família começa o desafio.

Então queremos:

a atividade perfeita,

a noite familiar perfeita,

a fotografia perfeita,

o jantar perfeito,

as crianças sorrindo,

todo mundo conversando.

A vida real não funciona assim.

Talvez alguém esteja cansado.

Talvez uma receita dê errado.

Talvez irmãos briguem durante o jogo.

Talvez a caminhada termine mais cedo.

Isso ainda é vida familiar.

Estar presente não significa produzir sete dias dignos de uma propaganda.

Significa simplesmente estar disponível para viver aquilo que realmente está acontecendo.


Observe o que começa a aparecer

No final da semana, talvez a redução no tempo de tela nem seja a descoberta mais interessante.

Talvez você perceba que:

seu filho gosta muito de cozinhar.

Sua filha conta coisas da escola durante caminhadas.

Os irmãos gostam de determinado jogo.

O adolescente conversa mais no carro.

Uma criança voltou a desenhar.

Alguém encontrou um livro.

A família riu durante o jantar.

Esses momentos provavelmente já tinham possibilidade de existir.

O desafio apenas abriu espaço para eles.


Depois dos sete dias

Não transforme o oitavo dia em:

“Agora faremos isso para sempre!”

Escolha aquilo que realmente funcionou.

Talvez sejam apenas duas mudanças:

jantar sem celulares

e

uma atividade familiar por semana.

Excelente.

Duas práticas sustentáveis são muito mais valiosas do que quinze regras abandonadas depois de duas semanas.

Depois de algum tempo, outra pequena prática pode surgir naturalmente.

É assim que uma cultura familiar começa a mudar.

Não necessariamente através de uma grande revolução.

Mas pela repetição.


O verdadeiro desafio começa depois do Dia 7

Sete dias são suficientes para experimentar.

Não são suficientes para transformar completamente hábitos construídos durante anos.

Mas alguma coisa pode começar.

Talvez a principal descoberta seja bastante simples:

nossa família ainda sabe estar junta.

Não precisamos abandonar a tecnologia.

Não precisamos fingir que celulares, videogames e internet não fazem parte da vida moderna.

Precisamos apenas garantir que eles não ocupem todos os espaços.

Que ainda exista uma mesa onde conversamos.

Um carro onde às vezes olhamos pela janela.

Uma caminhada sem notificações.

Um jogo sobre a mesa.

Uma receita feita juntos.

Uma pergunta seguida de atenção verdadeira.

Um momento em que ninguém precisa disputar nosso olhar com uma tela.

No final do sétimo dia, não pergunte apenas:

“Quanto tempo de tela conseguimos reduzir?”

Pergunte:

“O que apareceu no lugar?”

Se a resposta incluir mais conversa, brincadeira, participação, criatividade, descanso ou momentos juntos, então talvez vocês tenham descoberto algo que merece continuar.

Comece com sete dias.

Uma refeição.

Uma caminhada.

Uma conversa.

Um jogo.

Uma pequena tradição.

Porque construir uma vida familiar mais presente não significa necessariamente fazer mais coisas.

Às vezes significa apenas parar por alguns minutos, guardar aquilo que está roubando nossa atenção e perceber:

“Nós estamos aqui. Juntos. Agora.”

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