Como Criar um Clube do Livro Familiar Offline Dentro de Casa
Imagine uma noite comum.
A televisão está desligada.
Os celulares ficaram em outro cômodo.
Sobre a mesa há um livro, algumas folhas de papel, talvez pipoca ou chocolate quente.
Uma criança começa:
“Eu achei que ele não deveria ter feito aquilo.”
Alguém discorda:
“Mas ele estava com medo.”
Outra pessoa lembra de uma parte engraçada.
O pai conta que pensou diferente quando leu aquele capítulo.
De repente, aquela família não está apenas lendo o mesmo livro.
Está conversando sobre ele.
É basicamente isso que precisamos para começar um clube do livro familiar.
Não é necessário transformar a sala em biblioteca.
Não precisamos preparar aulas.
Não há provas.
Não há notas.
E ninguém precisa ser especialista em literatura.
Um clube do livro dentro de casa pode ser simplesmente um momento regular em que a família escolhe alguma coisa para ler e depois se reúne, sem telas, para conversar sobre aquilo.
O livro oferece o assunto.
Mas o verdadeiro objetivo pode ser muito maior:
criar um espaço de convivência dentro da família.
O que é um clube do livro familiar?
Um clube do livro tradicional reúne pessoas que leem determinada obra e depois conversam sobre ela.
Em casa, podemos tornar essa ideia muito mais simples.
A família pode:
- Escolher um livro;
- Combinar quanto será lido;
- Reservar um dia para conversar;
- Guardar celulares e outras distrações;
- Reunir-se;
- Compartilhar opiniões;
- Escolher a próxima leitura.
Pronto.
Esse já é um clube do livro.
Não precisamos copiar exatamente o funcionamento de um clube formado por adultos.
Quando existem crianças, é melhor criar algo adequado à idade, à rotina e principalmente à personalidade daquela família.
1. Comece pequeno
Existe uma maneira bastante eficiente de destruir uma boa ideia:
começar grande demais.
“Todos os sábados teremos duas horas de clube do livro!”
Na primeira semana funciona.
Na segunda existe aniversário.
Na terceira alguém não terminou o livro.
Na quarta ninguém quer participar.
Comece com algo sustentável.
Por exemplo:
Um encontro a cada duas semanas, durante 30 minutos.
Para algumas famílias, até 20 minutos podem ser suficientes.
Se todos estiverem envolvidos e quiserem continuar, continuem.
O clube deve criar expectativa, não cansaço.
2. Escolham juntos o primeiro livro
Essa decisão pode determinar muito da experiência.
Se o adulto simplesmente aparecer dizendo:
“Este é o livro que vamos ler.”
a atividade corre o risco de parecer mais uma obrigação criada pelos pais.
Experimente selecionar três opções apropriadas.
Coloque-as sobre a mesa.
Cada pessoa pode apresentar sua preferência.
Depois, façam uma votação.
Agora aconteceu algo importante:
a família participou da escolha.
Até uma criança cujo livro perdeu a votação percebe que sua opinião fazia parte da decisão.
3. Criem uma regra importante: o livro precisa funcionar para a família
Nem sempre o livro mais premiado será a melhor escolha.
Nem necessariamente o mais educativo.
O primeiro critério deveria ser muito simples:
Temos alguma chance de gostar de ler isso juntos?
Considere:
- Idade das crianças;
- Tamanho do livro;
- Complexidade da linguagem;
- Interesses da família;
- Tempo disponível;
- Temas tratados;
- Capacidade das crianças de acompanhar a história.
É melhor começar com algo relativamente simples e divertido do que escolher uma obra gigantesca que ninguém consiga terminar.
4. Crianças de idades diferentes podem participar
Talvez você tenha uma criança de sete anos e outra de doze.
Naturalmente, elas possuem níveis de leitura diferentes.
Isso não significa que o clube seja impossível.
Uma alternativa é utilizar livros que possam ser lidos em voz alta.
Outra é escolher histórias que funcionem em mais de um nível: a criança menor acompanha os acontecimentos enquanto a maior percebe questões mais complexas.
Também não existe obrigação de todos lerem sozinhos.
O pai pode ler.
A mãe pode continuar.
Uma criança lê um trecho.
Outra prefere apenas ouvir.
Ouvir uma história também permite participar da conversa.
5. Escolham um lugar da casa
Não precisa existir uma sala especial.
Pode ser:
- A mesa da cozinha;
- O sofá;
- Uma varanda;
- Um tapete na sala;
- O quintal;
- Um cantinho com almofadas.
O interessante é criar alguma associação:
“Quando nos reunimos aqui com os livros, começa nosso clube.”
Com crianças menores, pequenos detalhes podem ajudar.
Uma cesta com os livros.
Uma caixa com marcadores.
Algumas almofadas.
Uma plaquinha feita pelas próprias crianças.
CLUBE DO LIVRO DA FAMÍLIA
Nada sofisticado.
O importante é que seja de vocês.
6. Deem um nome ao clube
Isso pode parecer apenas brincadeira.
E é.
Mas justamente por isso pode funcionar.
Em vez de:
“Hoje temos que fazer aquela atividade de leitura.”
temos:
“Hoje é noite do Clube dos Exploradores de Histórias!”
Deixe as crianças sugerirem nomes.
Por exemplo:
Clube dos Caçadores de Histórias
A Turma do Livro
Clube da Página Secreta
Exploradores de Livros
Clube da Família Silva
Façam uma votação.
O nome cria identidade para uma atividade que antes era apenas “ler um livro”.
7. Criem poucas regras
Não comecem com quinze regulamentos.
Quatro podem bastar:
1. UMA PESSOA FALA DE CADA VEZ
Todos merecem ser ouvidos.
2. PODEMOS DISCORDAR
Não precisamos interpretar a história da mesma maneira.
3. NINGUÉM É RIDICULARIZADO
Nem mesmo quando apresenta uma opinião completamente inesperada.
4. CELULARES FICAM FORA
Este é um momento offline.
Pronto.
Com crianças, regras simples costumam funcionar melhor do que regulamentos elaborados.
8. O celular realmente precisa sair
Não basta dizer que o clube é offline enquanto o telefone permanece sobre a mesa.
Ele vibra.
A tela acende.
Alguém olha.
Outra pessoa recebe uma mensagem.
A conversa perde o ritmo.
Experimente criar uma pequena “estação dos celulares”.
Pode ser uma cesta em outro cômodo.
Antes de começar:
telefones ficam ali.
Naturalmente, cada família precisa considerar necessidades reais, como alguém precisar permanecer acessível para emergências.
O objetivo não é demonizar tecnologia.
É proteger aquele pequeno período de atenção compartilhada.
9. Não transforme o clube em aula de literatura
Esse ponto é fundamental.
O pai termina o capítulo e começa:
“Agora vou fazer dez perguntas para saber quem prestou atenção.”
Qual era o nome da cidade?
Em que página apareceu o cachorro?
Que roupa o personagem estava usando?
A atividade rapidamente começa a parecer prova.
Para o clube familiar, procure perguntas que não tenham apenas uma resposta correta.
Em vez de:
“O que aconteceu no capítulo três?”
experimente:
“Qual foi a parte mais interessante para você?”
Agora estamos conversando.
10. Use perguntas que realmente abram conversa
Algumas perguntas funcionam muito bem:
“Qual personagem você mais gostou?”
“Quem você achou mais estranho?”
“O que você teria feito naquela situação?”
“Alguém tomou uma decisão errada?”
“Qual foi a parte mais engraçada?”
“Teve alguma parte que você não entendeu?”
“Você confiaria nesse personagem?”
“Como você acha que a história vai terminar?”
“Qual cena você gostaria de mudar?”
“Você gostaria de viver dentro dessa história?”
Não use todas.
Uma boa pergunta que provoca quinze minutos de conversa vale muito mais do que dez perguntas respondidas rapidamente.
11. Os adultos também precisam responder
Imagine o pai perguntando:
“Qual personagem você mais gostou?”
A criança responde.
Então o pai imediatamente faz outra pergunta.
Não.
Entre na conversa.
“Eu gostei mais daquele outro. Sabe por quê?”
Agora a dinâmica muda.
Não temos um adulto examinando crianças.
Temos pessoas conversando sobre a mesma história.
Se queremos que crianças compartilhem pensamentos, ajuda bastante quando percebem que os adultos também compartilham os seus.
12. Deixe a criança discordar de você
Você diz:
“Eu acho que aquele personagem foi muito corajoso.”
Seu filho responde:
“Eu acho que ele foi irresponsável.”
Excelente oportunidade.
Não precisamos imediatamente demonstrar por que o adulto está certo.
Pergunte:
“Por que você acha isso?”
Talvez a explicação surpreenda você.
Um clube do livro pode ser um pequeno laboratório familiar para aprender algo muito importante:
discordar sem brigar.
13. Tenham um mediador diferente
Em determinada semana, o pai conduz.
Na seguinte, a mãe.
Depois, uma das crianças.
O mediador não precisa preparar uma palestra.
Sua função pode ser apenas:
- Dar início;
- Escolher uma pergunta;
- Organizar a vez de falar;
- Convidar alguém mais quieto a participar;
- Encerrar o encontro.
Uma criança de nove ou dez anos pode se sentir extremamente importante dizendo:
“Hoje eu sou o responsável pelo clube.”
E realmente pode ser.
14. Criem um pote de perguntas
Pegue um recipiente qualquer.
Escreva perguntas em pequenos pedaços de papel.
Coloque dentro.
Durante o encontro, alguém sorteia uma.
Por exemplo:
“Quem foi o personagem mais corajoso?”
“Qual cena você desenharia?”
“Quem você convidaria para jantar em nossa casa?”
“Qual foi a pior decisão da história?”
“Se pudesse fazer uma pergunta ao autor, qual seria?”
As próprias crianças podem acrescentar novas perguntas ao pote.
Assim, parte do clube passa a ser construída por elas.
15. Façam atividades relacionadas ao livro — mas não sempre
Vocês leram uma história que acontece em outro país?
Podem preparar uma comida relacionada ao lugar.
A história possui um mapa?
Desenhem o percurso dos personagens.
É um mistério?
Criem uma brincadeira de detetive.
É uma aventura?
Cada pessoa pode desenhar sua cena favorita.
Mas existe um cuidado importante:
não transforme todo livro em projeto.
Pais podem cair na armadilha de tornar uma atividade simples em uma produção enorme.
Às vezes o melhor clube do livro é apenas:
livro,
sofá,
pipoca
e conversa.
16. Criem o “lanche oficial” do clube
Essa é uma das partes que provavelmente não encontrará resistência.
Pode ser:
pipoca,
frutas,
biscoitos,
chocolate quente
ou qualquer opção que funcione para a família.
Talvez uma criança fique inicialmente mais animada com a pipoca do que com o capítulo.
Tudo bem.
Estamos criando associações agradáveis com aquele momento familiar.
Com o tempo, talvez ela comece perguntando:
“Hoje tem clube do livro?”
Ainda que parte da motivação seja o lanche, o livro estará esperando sobre a mesa.
17. Quem não terminou também pode participar
Aqui precisamos tomar cuidado.
Imagine que uma criança não terminou a leitura.
A regra é:
“Então você não participa.”
Acabamos de transformar o clube em punição.
Uma solução mais flexível é permitir sua participação, tomando cuidado com partes que ainda não foram lidas.
Podemos perguntar:
“Até onde você chegou?”
E conversar sobre aquele trecho.
Naturalmente, se ninguém nunca lê, precisamos rever o funcionamento.
Talvez o livro esteja difícil.
Talvez a quantidade seja excessiva.
Talvez a rotina esteja apertada.
Antes de concluir que falta interesse, vale investigar se o formato precisa ser ajustado.
18. Um livro abandonado não significa que o clube fracassou
A família escolheu um livro.
Depois de três encontros todos descobriram:
ninguém está gostando.
Precisamos terminar porque começamos?
Não necessariamente.
Façam uma votação.
Continuamos ou escolhemos outro?
Existe até uma conversa interessante nisso:
“Por que esse livro não funcionou para nós?”
Descobrir aquilo de que não gostamos também faz parte de descobrir nossos gostos como leitores.
19. Criem um diário do clube
Um caderno comum pode registrar a história do grupo.
Para cada livro, anotem:
Título:
Data:
Quem participou:
Personagem favorito:
Nota da família:
Frase sobre o que achamos:
Uma criança pode desenhar alguma coisa.
Outra pode escrever.
Depois de alguns anos, esse caderno poderá ter um valor que vai muito além dos livros.
Ele contará uma pequena história da própria família.
20. Criem uma avaliação divertida
Depois de terminar cada livro, cada integrante pode dar uma nota.
Por exemplo:
⭐ Não gostei
⭐⭐ Mais ou menos
⭐⭐⭐ Gostei
⭐⭐⭐⭐ Gostei muito
⭐⭐⭐⭐⭐ Quero outro parecido!
Depois calculem a “nota da família”.
Não para decidir objetivamente se o livro é bom ou ruim.
Mas para comparar opiniões.
O mais interessante pode acontecer quando uma pessoa dá cinco estrelas e outra dá duas.
Pergunte:
“Por que vocês avaliaram de maneiras tão diferentes?”
Aí começa uma ótima conversa.
21. Deixem cada integrante indicar um livro
Para evitar que apenas os adultos controlem as escolhas, criem um rodízio.
Primeiro livro: escolhido pela família.
Segundo: indicação da criança mais nova.
Terceiro: indicação da mais velha.
Quarto: escolha de um adulto.
Sempre com a aprovação dos responsáveis quanto à adequação do conteúdo.
Assim, o clube começa a refletir os interesses de todos.
22. Não corrija toda opinião da criança
Seu filho diz:
“Eu acho que o personagem estava bravo.”
Você acredita que ele estava triste.
Antes de corrigir:
“Não, você entendeu errado.”
pergunte:
“O que fez você pensar que ele estava bravo?”
Talvez exista alguma evidência no texto.
Talvez seja uma interpretação diferente.
Talvez realmente tenha ocorrido uma confusão.
Mesmo assim, conversar sobre o raciocínio pode ser muito mais interessante do que simplesmente fornecer a resposta.
23. O silêncio também é participação
Nem toda criança gosta de falar muito.
Uma pode dominar a conversa.
Outra prefere ouvir.
Não precisamos transformar:
“Você está muito quieto.”
em uma cobrança constante.
Convide:
“Teve alguma parte de que você gostou?”
Dê tempo.
Se a resposta for curta, tudo bem.
Participação não precisa ser medida pela quantidade de palavras pronunciadas.
24. Criem encontros especiais
Depois de alguns livros, façam uma edição diferente.
NOITE DO LIVRO + PIJAMA
Todos participam de pijama.
CLUBE NO QUINTAL
Leitura e conversa ao ar livre.
PIQUENIQUE LITERÁRIO
Livro, toalha e lanche.
NOITE DA PERSONAGEM
Cada pessoa escolhe o personagem que mais gostou.
CLUBE À LUZ DE LANTERNAS
Para uma história de aventura ou mistério.
Pequenas mudanças ajudam a manter a experiência interessante sem exigir grandes gastos.
25. Visitem uma biblioteca para escolher o próximo livro
O clube acontece dentro de casa.
Mas a escolha pode começar fora dela.
Façam uma visita à biblioteca pública.
Cada integrante procura uma opção.
Reúnam os candidatos.
Cada pessoa explica:
“Eu escolhi este porque…”
Depois votem.
Agora a visita à biblioteca também passou a fazer parte do ritual familiar.
26. Não transformem o clube em competição de leitura
“Quem terminou primeiro?”
“Quem leu mais páginas?”
“Seu irmão já acabou.”
Cuidado.
A velocidade de leitura varia.
O objetivo do clube não precisa ser descobrir o leitor mais rápido da família.
Ler vinte páginas atentamente pode ser mais valioso para aquela criança do que correr por cinquenta apenas para vencer.
27. Respeitem gostos diferentes
Uma criança adora fantasia.
Outra quer histórias sobre animais.
O pai prefere biografias.
A mãe gosta de mistérios.
Perfeito.
Um clube familiar não precisa eliminar essas diferenças.
Pode explorá-las.
Um mês vocês entram em uma aventura.
No próximo, leem uma história real.
Depois, um mistério.
Essa variedade permite que cada integrante diga em algum momento:
“Agora chegou um tipo de livro de que eu gosto.”
28. Livros ilustrados não são apenas para quem ainda não sabe ler
Mesmo crianças que já leem sozinhas podem aproveitar uma boa obra ilustrada.
Ela também pode produzir observações, perguntas, humor e interpretações.
Às vezes, inclusive, permite um encontro completo em uma única noite.
Vocês leem juntos.
Conversam.
Avaliam.
E terminam.
Para uma família começando seu primeiro clube, isso pode ser excelente.
29. Não é necessário comprar livros
Um clube familiar não precisa se transformar em uma despesa mensal.
Utilizem:
- Biblioteca pública;
- Livros que já possuem;
- Trocas com outras famílias;
- Sebos;
- Livros emprestados;
- Pequenas bibliotecas comunitárias.
Antes de comprar um título novo, vale olhar para a própria estante.
Às vezes o próximo livro do clube já está dentro de casa há anos.
30. Crie uma cerimônia simples para terminar cada livro
Chegar à última página merece alguma marcação.
Nada grandioso.
Alguém fecha o livro e anuncia:
“Livro concluído!”
Todos dão suas estrelas.
Anotam no diário.
Talvez façam uma fotografia da família com o livro.
Coloquem o título na lista:
LIVROS QUE NOSSO CLUBE JÁ LEU
Com o passar dos meses, essa lista cresce.
E a criança consegue enxergar concretamente uma história de leitura sendo construída.
Um modelo pronto para o primeiro encontro
Quer experimentar sem complicar?
Use este formato.
ANTES
Escolham um livro curto.
Definam o dia.
Preparem um lanche simples.
Guardem os celulares.
ABERTURA — 5 MINUTOS
Pergunte:
“De 1 a 5 estrelas, o quanto você está gostando?”
CONVERSA — 15 MINUTOS
Escolha três perguntas:
“Qual personagem você mais gostou?”
“Qual foi a parte mais interessante?”
“O que você acha que vai acontecer?”
Não existe obrigação de usar as três.
Se uma gerar uma ótima conversa, fiquem nela.
DIVERSÃO — 5 MINUTOS
Sorteiem uma pergunta do pote ou façam um pequeno desenho relacionado ao livro.
ENCERRAMENTO — 5 MINUTOS
Combinem quanto será lido para o próximo encontro.
Guardem o livro.
Fim.
Trinta minutos.
Um plano para o primeiro mês
SEMANA 1 — CRIAÇÃO DO CLUBE
Escolham:
nome,
lugar,
regras
e primeiro livro.
SEMANA 2 — PRIMEIRA CONVERSA
Falemos sobre personagens e primeiras impressões.
SEMANA 3 — SEGUNDO ENCONTRO
Conversem sobre decisões, conflitos e previsões.
SEMANA 4 — FINAL DO LIVRO
Terminem a história.
Dêem suas estrelas.
Registrem no diário.
Escolham o próximo livro.
Depois de um mês, a família já terá experimentado um ciclo completo.
Dez perguntas para deixar dentro do pote
Escreva estas em pequenos papéis:
- Quem você escolheria como amigo nessa história?
- Qual personagem tomou a pior decisão?
- O que você teria feito diferente?
- Qual foi a parte mais engraçada?
- Qual foi a parte mais triste?
- Quem mudou mais durante a história?
- Que pergunta você faria a um personagem?
- Se pudesse mudar uma cena, qual seria?
- Como você acha que a história terminará?
- Você recomendaria este livro para alguém? Por quê?
Adicionem novas perguntas conforme o clube cresce.
Quando o entusiasmo diminuir
Isso provavelmente acontecerá em algum momento.
Não significa necessariamente que acabou.
Antes de insistir, pergunte:
“O que poderíamos mudar no nosso clube?”
Talvez os encontros estejam longos.
Talvez o livro não tenha agradado.
Talvez exista leitura demais entre reuniões.
Talvez as crianças queiram escolher o próximo.
Talvez vocês precisem simplesmente passar algumas semanas sem clube.
Uma tradição familiar saudável precisa servir à família.
A família não precisa servir à tradição.
O verdadeiro resultado talvez não esteja na quantidade de livros
Depois de um ano, uma família pode olhar a lista e encontrar:
dez livros.
Outra, vinte.
Outra, apenas cinco.
Esses números contam muito pouco sobre aquilo que realmente aconteceu.
Talvez durante um daqueles encontros uma criança tenha dito:
“Eu teria medo também.”
E o pai respondeu:
“Quando eu tinha sua idade, aconteceu algo comigo…”
Talvez uma discussão sobre um personagem tenha ensinado irmãos a discordarem sem se atacar.
Talvez uma criança quieta tenha surpreendido todos com uma interpretação que ninguém havia percebido.
Talvez outra tenha escolhido pela primeira vez um livro para toda a família.
Isso não aparece numa contagem de páginas.
Mas faz parte da experiência.
No fim, o livro cria um ponto de encontro
Famílias vivem juntas.
Mas viver na mesma casa não significa necessariamente parar para conversar.
Existem:
trabalho,
escola,
tarefas,
televisão,
celulares,
compromissos,
mensagens,
vídeos
e inúmeros pequenos acontecimentos disputando nossa atenção.
Um clube do livro familiar não resolve tudo isso.
Também não precisa.
Ele apenas cria, periodicamente, um pequeno espaço protegido.
Um livro no centro.
Algumas pessoas ao redor.
E uma pergunta:
“O que você achou?”
Talvez a criança fale sobre o personagem.
Depois sobre a escola.
Talvez conte algo que aconteceu com um amigo.
Talvez ninguém chegue a assuntos profundos e vocês simplesmente discutam se um dragão deveria ou não ter entrado naquele castelo.
E tudo bem.
Porque nem todo momento familiar precisa produzir uma grande lição.
Alguns precisam apenas produzir presença.
Por isso, se você quiser criar um clube do livro familiar offline dentro de casa, não espere ter a estante perfeita, dezenas de livros ou um plano sofisticado.
Escolha uma história.
Escolha uma noite.
Desligue as telas.
Prepare alguma coisa gostosa.
Sentem-se juntos.
Abra o livro.
E quando chegar o momento da conversa, comece pela pergunta mais simples de todas:
“Então… o que vocês acharam?”
