Como Trocar as Telas por Uma Rotina de Leitura Offline Mais Atrativa
Celulares, tablets, videogames, televisão e vídeos fazem parte da rotina de muitas famílias.
O problema geralmente não está na existência dessas tecnologias.
A dificuldade aparece quando elas ocupam praticamente todos os espaços disponíveis do dia.
A criança acorda e procura uma tela.
Faz uma refeição assistindo a vídeos.
Volta da escola e pega o celular.
Quando fica entediada, procura o videogame.
Antes de dormir, assiste a mais alguns conteúdos.
Nesse cenário, um livro pode parecer estar disputando uma competição bastante desigual.
De um lado existe uma tela cheia de movimento, sons, cores e novidades.
Do outro:
um livro fechado sobre uma estante.
Então surge uma pergunta importante para pais e responsáveis:
Como incentivar a leitura sem transformar cada momento offline em uma batalha contra as telas?
Talvez a estratégia mais realista não seja tentar eliminar completamente a tecnologia.
Pode ser muito mais eficiente começar substituindo parte do tempo de tela por experiências de leitura que realmente sejam interessantes para a criança.
O objetivo não é simplesmente fazer a criança ficar longe do celular.
É ajudá-la a descobrir que existem coisas interessantes para fazer quando o celular não está em suas mãos.
E um livro pode ser uma dessas coisas.
Não comece declarando guerra às telas
Imagine a seguinte abordagem:
“Você está tempo demais nesse celular. A partir de hoje vai desligar tudo e ler uma hora por dia.”
Talvez funcione naquele primeiro dia porque existe autoridade suficiente para obrigar.
Mas existe um risco.
A criança pode construir rapidamente esta associação:
Tela = diversão
Livro = punição pela tela
Essa certamente não é a relação que desejamos criar com a leitura.
Uma abordagem diferente seria:
“Vamos experimentar ficar 15 minutos sem os aparelhos depois do jantar e escolher alguma coisa legal para ler?”
A mudança parece pequena.
E realmente é.
Mas justamente por ser pequena, pode ser muito mais fácil transformá-la em rotina.
1. Observe primeiro como as telas estão sendo usadas
Antes de estabelecer novas regras, observe a rotina por alguns dias.
Em quais momentos a criança procura uma tela?
Logo ao acordar?
Depois da escola?
Durante as refeições?
Quando termina as tarefas?
Antes de dormir?
Quando está entediada?
Essa observação é importante porque nem todo uso acontece pelo mesmo motivo.
Às vezes a tela oferece entretenimento.
Em outros momentos, ocupa simplesmente um vazio.
É justamente nesses espaços que uma alternativa offline pode ser introduzida com mais naturalidade.
Você não precisa transformar imediatamente toda a rotina.
Encontre um momento possível para começar.
2. Não tente substituir três horas de tela por três horas de leitura
Esse é um erro fácil de cometer.
Se uma criança passa bastante tempo utilizando eletrônicos, dificilmente será realista simplesmente retirar esse período e colocar livros em seu lugar na mesma proporção.
Comece menor.
Talvez:
10 MINUTOS
ou:
15 MINUTOS
Se funcionar bem, esse período pode aumentar naturalmente.
O objetivo inicial não é alcançar uma quantidade impressionante de páginas.
É fazer a criança perceber:
“Eu consigo ficar um pouco sem a tela e existe outra coisa interessante para fazer.”
Isso já representa uma mudança.
3. Escolha o melhor momento para a leitura
Nem todo horário oferece as mesmas condições.
Tentar iniciar uma leitura justamente quando a criança está esperando começar seu jogo favorito talvez crie resistência desnecessária.
Procure momentos de transição.
Por exemplo:
- Depois do banho;
- Antes de dormir;
- Depois do jantar;
- Em uma tarde de fim de semana;
- Durante um período tranquilo após as tarefas escolares;
- Enquanto a família espera alguma coisa;
- Pela manhã, em dias menos corridos.
Experimente.
Uma rotina que funciona perfeitamente em determinada família pode ser impossível em outra.
A melhor rotina é aquela que cabe na vida real da casa.
4. Faça uma transição, não uma interrupção brusca
Imagine uma criança completamente envolvida em um jogo.
De repente:
“Desliga agora. Hora de ler.”
Ela chega ao livro ainda pensando no jogo que acabou de interromper.
Quando possível, avise antes.
“Daqui a dez minutos vamos guardar os aparelhos.”
Depois:
“Faltam cinco minutos.”
A criança consegue concluir o que está fazendo e se preparar para mudar de atividade.
Isso não significa que ela determinará todas as regras da casa.
Significa apenas tornar a transição mais previsível.
5. Coloque os livros onde a vida acontece
Se o celular está sempre disponível e o livro está guardado no alto de um armário, existe uma diferença importante de acessibilidade.
Deixe alguns livros em lugares apropriados e seguros.
Uma cesta na sala.
Uma pequena estante.
O cantinho de leitura.
Uma caixa perto do sofá.
Alguns livros no quarto.
Quando os livros permanecem visíveis e acessíveis, fica muito mais fácil utilizá-los espontaneamente.
O princípio é simples:
aquilo que desejamos incluir na rotina precisa estar presente na rotina.
6. Descubra o que realmente interessa à criança
Talvez este seja um dos pontos mais importantes.
Não comece perguntando:
“Que livro seria mais educativo?”
Comece perguntando:
“Sobre o que meu filho gosta de saber?”
Dinossauros?
Futebol?
Carros?
Animais?
Espaço?
Mistério?
Receitas?
Experimentos?
Histórias engraçadas?
Aventura?
Desenho?
Natureza?
Biografias?
Curiosidades?
A leitura não precisa começar pelo livro que o adulto considera mais importante.
Ela pode começar pelo assunto que faz a criança dizer:
“Deixa eu ver isso.”
7. Amplie sua ideia do que significa ler
Nem toda leitura precisa ser um romance infantil.
Dependendo da idade e dos interesses, considere:
- Histórias;
- Quadrinhos;
- Revistas apropriadas;
- Livros ilustrados;
- Biografias infantis;
- Livros de curiosidades;
- Poesias;
- Livros sobre esportes;
- Livros de experiências;
- Guias sobre animais;
- Livros de receitas;
- Materiais impressos adequados à idade.
Uma criança que ainda não demonstra interesse por histórias longas talvez passe vinte minutos completamente concentrada em um livro ilustrado sobre tubarões.
Isso também é aproximação com a leitura.
8. Permita que a criança escolha
Em alguns momentos, apresente opções.
“Qual desses três você quer ler?”
Ou, na biblioteca:
“Escolha dois livros que você realmente gostaria de levar.”
Participar da escolha muda a experiência.
Existe diferença entre:
“Leia isto.”
e:
“O que você gostaria de descobrir?”
Naturalmente, pais continuam responsáveis por selecionar materiais adequados à idade e aos valores da família.
Mas dentro desses limites pode existir liberdade.
9. Use a curiosidade que as telas já despertaram
A tecnologia pode revelar interesses.
Seu filho ficou fascinado por vídeos sobre espaço?
Procurem um livro sobre planetas.
Está assistindo muito conteúdo sobre futebol?
Experimente biografias de jogadores ou livros sobre a história do esporte.
Gosta de vídeos de animais?
Leve livros sobre vida selvagem para casa.
Essa estratégia cria uma ponte.
Em vez de dizer:
“Pare de ver isso.”
podemos acrescentar:
“Você gosta tanto desse assunto que encontrei uma coisa interessante sobre ele.”
A leitura entra em um território que a criança já considera interessante.
10. Transforme parte da leitura em experiência compartilhada
Não entregue sempre o livro dizendo:
“Agora vá ler.”
Algumas vezes, sente-se junto.
Leia para a criança.
Peça que ela leia para você.
Dividam os personagens.
Façam vozes.
Observem as imagens.
Comentem o que está acontecendo.
Riam.
Tentem descobrir o final.
A atenção de um pai ou de uma mãe pode tornar a experiência muito mais atraente.
De repente, aqueles 15 minutos não significam:
“tiraram meu celular.”
Significam:
“esse é o momento em que fazemos alguma coisa juntos.”
11. Adultos também precisam guardar o celular
Essa é uma parte delicada.
Se estabelecemos:
20 MINUTOS SEM TELAS
mas a criança observa o adulto utilizando o telefone durante todo o período, a regra perde parte de sua coerência.
Quando possível, participe.
Coloque seu telefone de lado.
Pegue um livro.
Leia uma revista.
Leia para seu filho.
Converse.
A proposta deixa de ser:
“Você precisa ficar sem tela.”
e passa a ser:
“Nós teremos alguns minutos offline.”
12. Crie um estacionamento para os celulares
Pode ser extremamente simples.
Uma pequena cesta ou caixa em determinado lugar da casa.
Durante o período combinado:
ESTACIONAMENTO DOS CELULARES
Os aparelhos ficam ali.
Inclusive os dos adultos, quando possível.
Não é necessário fazer disso uma cerimônia complicada.
O objetivo é diminuir interrupções.
Porque mesmo quando ninguém está utilizando o aparelho, uma notificação pode facilmente recuperar toda a atenção.
13. Experimente a regra “primeiro um pouco offline”
Em determinados momentos da rotina, a família pode estabelecer:
Antes de voltar às telas, teremos um pequeno período offline.
Mas atenção à forma como isso é apresentado.
Se a criança percebe:
“Preciso sofrer 20 minutos lendo para ganhar videogame”,
o efeito pode ser ruim.
Por isso, preencha esse período com experiências realmente agradáveis.
A leitura pode ser uma opção entre outras atividades offline.
14. Não transforme leitura em pedágio para conseguir tela
Evite criar constantemente negociações como:
“Leia 20 páginas e eu libero o tablet.”
Isso pode funcionar imediatamente.
Mas existe um risco na mensagem:
LEITURA = TRABALHO
TELA = RECOMPENSA
Se o objetivo é tornar a leitura mais atraente, essa associação merece cuidado.
Recompensas ocasionais não são necessariamente um problema.
Mas elas não precisam ser a única razão pela qual uma criança abre um livro.
15. Pare enquanto a experiência ainda está boa
Isso parece estranho.
Você finalmente conseguiu fazer seu filho se interessar pelo livro.
Então naturalmente pensa:
“Vamos aproveitar e ler bastante!”
Cuidado.
Se o momento está agradável e vocês chegaram a uma boa pausa, talvez seja justamente a hora de dizer:
“Continuamos amanhã.”
Principalmente quando existe suspense.
A criança pode perguntar:
“Mas o que acontece depois?”
Excelente.
O livro acabou de produzir algo valioso:
expectativa para a próxima leitura.
16. Crie um livro que só vocês leem juntos
Escolham uma história e estabeleçam:
ESTE É O NOSSO LIVRO
Vocês só avançam quando estão juntos.
Ele pode levar dias ou semanas para terminar.
Depois de algum tempo, algo interessante pode acontecer.
Em vez de o adulto perguntar:
“Vamos ler?”
a criança aparece perguntando:
“Hoje vamos continuar nosso livro?”
Essa inversão é um ótimo sinal.
17. Crie noites offline especiais
Nem toda leitura precisa acontecer da mesma maneira.
Uma vez por semana ou ocasionalmente, façam algo diferente.
Pode ser uma:
NOITE OFFLINE EM FAMÍLIA
Desliguem a televisão.
Guardem os celulares.
Preparem um lanche simples.
Coloquem almofadas no chão.
Façam uma cabana com cobertores.
Escolham livros.
Leiam juntos.
Depois podem jogar um jogo de tabuleiro, montar um quebra-cabeça ou conversar.
A ideia é mostrar na prática:
uma noite sem telas não precisa ser uma noite sem diversão.
18. Leve a leitura para fora de casa
A leitura offline não precisa ficar restrita ao quarto.
Levem um livro:
Para o parque.
Para a varanda.
Para uma viagem.
Para uma sala de espera.
Para um piquenique.
Para o carro enquanto aguardam alguém.
Para debaixo de uma árvore.
O livro tem uma vantagem fantástica:
não precisa de bateria, Wi-Fi ou tomada.
Pode acompanhar a família a praticamente qualquer lugar.
19. Transforme a biblioteca em passeio
Uma biblioteca pública pode ser uma poderosa aliada.
Em vez de tratar a visita apenas como obrigação escolar, permita exploração.
“Vamos ver o que encontramos hoje?”
Caminhem entre as estantes.
Observem capas.
Procurem assuntos.
Descubram autores.
Deixe a criança escolher alguns títulos adequados.
Depois, em casa, estabeleça uma cesta:
LIVROS DA BIBLIOTECA
Quando esses livros retornarem, outros chegarão.
Isso produz renovação sem exigir a compra constante de novos títulos.
20. Use o livro como começo de outra atividade
Terminou um livro sobre aviões?
Façam aviões de papel.
Leu sobre plantas?
Plantem alguma coisa.
Uma história mencionou uma receita?
Preparem algo juntos.
O livro era sobre estrelas?
Observem o céu à noite.
Era um mistério?
Criem uma pequena caça às pistas pela casa.
Assim, a experiência deixa de ser:
tela desligada → livro → tela novamente
e pode se transformar em:
livro → ideia → atividade → conversa → experiência familiar.
21. Prepare alternativas para o tédio
Quando reduzimos telas, uma frase provavelmente aparecerá:
“Não tem nada para fazer!”
Esse momento é importante.
Não precisamos resolver todo segundo de tédio para a criança.
Mas podemos tornar outras possibilidades acessíveis.
Uma pequena estação offline pode conter:
- Livros;
- Papel;
- Lápis;
- Quebra-cabeças;
- Cartas;
- Jogos simples;
- Blocos de montar;
- Materiais para desenho;
- Revistas;
- Atividades manuais adequadas.
O livro passa a fazer parte de um conjunto maior de possibilidades.
22. Não tenha medo do tédio
Parece contraditório, mas nem todo minuto vazio precisa ser eliminado.
Quando não existe imediatamente uma tela disponível, a criança pode inicialmente reclamar.
Depois talvez procure um brinquedo.
Pegue um livro.
Comece a desenhar.
Invente alguma coisa.
Chame um irmão para brincar.
O tédio também pode criar espaço para iniciativa.
Se o adulto oferece uma tela sempre que surge um momento vazio, outras alternativas raramente precisam ser descobertas.
23. Evite comparação entre irmãos
Talvez uma criança rapidamente troque parte das telas por livros.
Outra não.
Uma gosta de histórias.
Outra prefere quadrinhos.
Uma consegue permanecer 30 minutos concentrada.
Outra começa com 10.
Evite frases como:
“Olha seu irmão. Ele gosta de ler.”
O objetivo não é produzir competição.
Queremos descobrir qual relação com atividades offline funciona melhor para cada criança.
24. Não faça da leitura um castigo
Evite:
“Já que você não me obedeceu, vai ficar sem videogame e vai ler.”
Observe a associação criada.
Videogame = coisa desejável que foi retirada.
Leitura = punição recebida.
Se desejamos que os livros tenham espaço espontâneo na vida da criança, é melhor preservar a leitura dessa função disciplinar.
25. Faça um rodízio dos livros disponíveis
Não é necessário comprar livros novos constantemente.
Se existem 30 livros em casa, experimente deixar apenas alguns no cantinho de leitura.
Depois de algumas semanas, troque.
Um livro que ficou guardado durante algum tempo pode parecer novamente interessante quando reaparece.
Você pode até colocar um título diferente com uma pequena placa:
NOVIDADE DA SEMANA
A novidade não precisa ser nova.
Precisa apenas voltar a ser percebida.
26. Observe o progresso de outra maneira
Não avalie apenas:
Quantos livros terminou?
Existem outros sinais importantes.
A criança pegou um livro sem ninguém pedir?
Levou um livro para o carro?
Pediu para continuar uma história?
Contou alguma coisa que descobriu lendo?
Perguntou se existe outro livro semelhante?
Escolheu um título na biblioteca?
Ficou 15 minutos longe da tela espontaneamente?
Esses pequenos comportamentos mostram que novas possibilidades estão entrando na rotina.
Um plano prático de 7 dias para começar
Não precisa mudar a casa inteira na segunda-feira.
Experimente durante uma semana.
DIA 1 — OBSERVAR
Não mude nada ainda.
Observe quando e por que as telas são mais utilizadas.
Escolha um pequeno período que poderia se tornar offline.
DIA 2 — ESCOLHER
Converse com a criança e escolham alguns livros interessantes.
Use o que já existe em casa ou visite a biblioteca.
DIA 3 — COMEÇAR COM 10 OU 15 MINUTOS
Guardem os aparelhos.
Leiam juntos.
Terminem antes de a experiência ficar cansativa.
DIA 4 — DEIXAR A CRIANÇA ESCOLHER
Apresente algumas opções.
Ela decide qual leitura fará parte daquele momento.
DIA 5 — LIGAR LIVRO E EXPERIÊNCIA
Façam alguma atividade inspirada na leitura.
Desenhar.
Cozinhar.
Construir.
Explorar.
Brincar.
DIA 6 — FAZER ALGO DIFERENTE
Leiam no quintal, façam uma cabana ou criem uma pequena noite offline em família.
DIA 7 — CONVERSAR
Pergunte:
“Do que você mais gostou?”
“O que não foi legal?”
“O que poderíamos fazer diferente?”
Essas respostas podem ajudar a montar a rotina da semana seguinte.
Um exemplo de rotina depois da escola
Não existe modelo perfeito, mas uma estrutura poderia ser:
CHEGAR EM CASA
Guardar mochila e organizar o necessário.
LANCHE E CONVERSA
Um pequeno período para descansar e conversar sobre o dia.
RESPONSABILIDADES
Tarefas escolares e pequenas responsabilidades domésticas apropriadas à idade.
15 A 20 MINUTOS OFFLINE
Livro, quadrinhos, desenho, atividade manual ou leitura compartilhada.
OUTRAS ATIVIDADES
Brincadeiras, atividades externas e, conforme as regras da família, tempo de tela.
A leitura deixa de aparecer como adversária da tecnologia.
Ela simplesmente conquista um lugar próprio dentro do dia.
Se a criança disser: “Eu odeio ler”
Não transforme imediatamente essa frase em confronto.
Investigue.
“O que você não gosta?”
Talvez a criança esteja encontrando livros difíceis.
Talvez os assuntos não interessem.
Talvez esteja associando leitura somente às tarefas escolares.
Talvez tenha dificuldade para ler.
Talvez prefira quadrinhos, curiosidades ou livros visuais.
Talvez goste quando alguém lê para ela.
Talvez nunca tenha encontrado um livro que realmente despertasse interesse.
Em casos de dificuldades persistentes de leitura, vale conversar com professores e, quando apropriado, buscar avaliação profissional.
Mas existe uma diferença importante entre:
não gostar dos materiais que conheceu até agora
e
não ser capaz de gostar de nenhuma experiência de leitura.
Não conclua cedo demais.
O objetivo não é criar uma casa sem tecnologia
Para a maioria das famílias, provavelmente seria pouco realista.
Tecnologia também pode servir para estudar, comunicar, criar, trabalhar e se divertir.
A questão é outra:
As telas precisam ocupar todos os momentos livres?
Talvez não.
Uma família pode deliberadamente proteger pequenos espaços do dia.
Quinze minutos para ler.
Uma refeição sem celulares.
Uma visita à biblioteca.
Uma noite com jogos.
Uma história antes de dormir.
Uma tarde de projetos.
Uma conversa sem notificações.
Separadamente, essas escolhas parecem pequenas.
Juntas, começam a construir uma rotina diferente.
Quando a mudança começa a funcionar
O verdadeiro sucesso talvez não aconteça quando a criança termina determinada quantidade de livros.
Pode acontecer em uma tarde comum.
O videogame está disponível.
O celular não foi proibido para sempre.
Ninguém anunciou:
“Agora é hora da leitura.”
Mesmo assim, a criança caminha até a cesta.
Pega aquele livro que vocês começaram alguns dias antes.
Senta no sofá.
Abre onde está o marcador.
E continua.
Talvez sejam apenas dez minutos.
Mas existe uma diferença enorme.
Dessa vez, ninguém precisou obrigá-la.
É justamente por isso que trocar parte das telas por leitura offline não deveria significar simplesmente retirar alguma coisa da infância.
Significa colocar outras experiências no espaço que se abriu.
Livros interessantes.
Histórias compartilhadas.
Curiosidade.
Conversas.
Biblioteca.
Imaginação.
Tempo com os pais.
Momentos tranquilos.
Comece pequeno.
Escolha um período possível.
Encontre uma leitura que realmente desperte curiosidade.
Guarde também o seu celular.
Sente-se perto.
E permita que a mudança aconteça gradualmente.
Porque o objetivo não é fazer uma criança pensar:
“Meus pais tiraram minha tela.”
É ajudá-la a descobrir:
“Quando a tela está desligada, ainda existem muitas coisas que eu gosto de fazer.”
