Jogos Offline que Estimulam Criatividade

Jogos Offline em Família que Estimulam Criatividade, Conversa e Imaginação das Crianças

Quando alguém diz “vamos jogar alguma coisa?”, é cada vez mais comum que a primeira ideia seja procurar um celular, ligar um videogame ou abrir um aplicativo.

Mas uma família não precisa de uma tela para transformar alguns minutos livres em brincadeira.

Papel, lápis, cartas, dados, objetos encontrados pela casa e até a própria imaginação podem criar jogos capazes de envolver crianças e adultos. Além da diversão, algumas dessas brincadeiras abrem espaço para algo que nem sempre acontece quando cada pessoa está concentrada em sua própria tela: conversa, colaboração e criação compartilhada.

E existe uma vantagem importante: muitos jogos offline podem ser inventados ou adaptados pela própria família.

Não é necessário possuir uma grande coleção de jogos de tabuleiro. Às vezes, tudo o que precisamos é sentar juntos e começar.

Por que incluir jogos offline na rotina da família?

Jogos offline oferecem uma experiência diferente daquela proporcionada pelos jogos digitais.

Em uma brincadeira presencial, a criança observa expressões, escuta os outros participantes, espera sua vez, explica ideias e reage ao que está acontecendo ao redor da mesa.

Dependendo do jogo, ela também precisa:

  • Inventar;
  • Fazer perguntas;
  • Contar histórias;
  • Negociar regras;
  • Resolver problemas;
  • Fazer escolhas;
  • Trabalhar em equipe;
  • Lidar com resultados inesperados.

Isso não significa que todo jogo precise ser educativo.

Diversão já é uma ótima razão para brincar.

O interessante é que muitos aprendizados podem surgir naturalmente enquanto todos estão apenas tentando aproveitar aquele momento juntos.

Antes de começar: não complique

Uma noite de jogos offline não precisa exigir planejamento elaborado.

Para começar, escolha alguma coisa que combine com:

a idade das crianças;

o número de participantes;

o tempo disponível;

e o nível de energia da família naquele momento.

Se todos estão cansados, talvez seja melhor uma brincadeira curta.

Se é sábado à tarde e ninguém tem pressa, um jogo mais longo pode funcionar.

O melhor jogo não é necessariamente o mais sofisticado.

É aquele que todos conseguem jogar juntos.

1. A história de uma frase por pessoa

Este jogo exige apenas imaginação.

Uma pessoa começa:

“Era uma vez uma menina que encontrou uma pequena porta atrás de uma árvore…”

A próxima precisa continuar acrescentando uma frase:

“Quando ela abriu a porta, descobriu uma escada que descia para um lugar completamente escuro…”

O próximo participante continua.

A história passa de pessoa para pessoa.

Ninguém controla sozinho o que acontecerá.

Um castelo pode virar uma nave espacial. Um cachorro pode começar a falar. Um personagem pode acabar em outro planeta.

É justamente essa imprevisibilidade que torna a brincadeira divertida.

Para variar

Escrevam algumas palavras em pedaços de papel:

dragão

bicicleta

escola

chave

tempestade

bolo

Sorteiem três ou quatro e criem uma história que obrigatoriamente utilize todas elas.

2. O objeto impossível

Escolha um objeto comum da casa.

Pode ser uma colher.

Mostre para todos e diga:

“Isto não é uma colher. O que poderia ser?”

Cada pessoa precisa inventar uma utilização imaginária.

“É o remo de um barco minúsculo.”

“É uma antena para conversar com extraterrestres.”

“É uma catapulta para formigas.”

Depois escolha outro objeto.

A brincadeira incentiva justamente aquilo que as crianças fazem naturalmente: transformar objetos comuns em alguma coisa completamente diferente.

3. Desenho que passa de mão em mão

Cada pessoa recebe uma folha.

Todos começam fazendo apenas uma pequena parte de um desenho.

Depois de alguns segundos, passam o papel para a pessoa ao lado.

O próximo participante acrescenta alguma coisa.

O papel continua circulando até retornar à pessoa que começou.

No final, ninguém sabe exatamente como o desenho terminará.

Não existe desenho bonito ou feio.

A graça está em descobrir o resultado criado coletivamente.

4. Desenhe e adivinhe

Este é um clássico extremamente simples.

Escreva palavras em pequenos pedaços de papel.

Por exemplo:

  • Girafa;
  • Avião;
  • Pizza;
  • Cachorro;
  • Castelo;
  • Praia;
  • Robô;
  • Escola;
  • Elefante;
  • Bicicleta.

Um participante sorteia uma palavra e precisa desenhá-la sem falar.

Os demais tentam adivinhar.

Para crianças menores, utilize palavras concretas e fáceis de representar.

Com crianças maiores, aumente a dificuldade.

Pode colocar situações como:

“Perdeu o ônibus.”

“Um gato tomando banho.”

“Uma festa na Lua.”

A criatividade rapidamente começa a aparecer.

5. Quem sou eu?

Escreva personagens, animais ou objetos em cartões.

Sem olhar, cada participante recebe um cartão.

Dependendo da forma escolhida pela família, ele pode segurá-lo acima da cabeça enquanto os demais veem a resposta.

Agora deve fazer perguntas:

“Sou uma pessoa?”

“Sou um animal?”

“Consigo voar?”

“Sou grande?”

“Posso ser encontrado dentro de casa?”

Os demais respondem apenas conforme as regras combinadas, até que a pessoa consiga descobrir sua identidade.

Esse jogo costuma gerar muita conversa porque cada resposta leva a uma nova pergunta.

6. O jogo das perguntas malucas

Coloque várias perguntas dentro de um pote.

Por exemplo:

“Se você pudesse construir uma casa em qualquer lugar, onde seria?”

“Se os animais falassem, qual seria o mais engraçado?”

“Se você inventasse um feriado, o que as pessoas fariam?”

“Se pudesse criar uma nova matéria na escola, qual seria?”

“Se nossa família tivesse um barco, que nome você daria a ele?”

Cada pessoa sorteia uma pergunta e responde.

Não existem respostas corretas.

O objetivo é conversar e descobrir como cada pessoa imagina coisas diferentes.

7. Três coisas sobre mim

Cada participante conta três afirmações sobre si.

Duas são verdadeiras e uma foi inventada.

Os outros precisam descobrir qual é a invenção.

Com crianças, utilize situações adequadas à idade:

“Já comi alguma coisa que não gostei.”

“Tenho medo de aranhas.”

“Uma vez encontrei um dinossauro no quintal.”

O jogo pode revelar histórias que outros familiares ainda não conheciam.

E isso abre espaço para conversas.

8. Complete o desenho

Faça algumas formas aleatórias em folhas de papel:

Um círculo.

Uma linha torta.

Dois quadrados.

Um triângulo.

Entregue uma folha para cada criança e diga:

“Transforme isso em alguma coisa.”

O círculo pode virar planeta, rosto, roda ou janela de submarino.

A mesma forma inicial pode produzir desenhos completamente diferentes.

Depois, cada pessoa apresenta sua criação e explica o que imaginou.

9. Construção com materiais simples

Separe materiais disponíveis em casa:

  • Caixas vazias;
  • Rolos de papel;
  • Papel;
  • Fita adesiva;
  • Copos descartáveis limpos;
  • Blocos de montar;
  • Palitos apropriados para artesanato.

Então apresente um desafio:

“Construam uma ponte.”

“Criem uma casa para um brinquedo.”

“Construam uma torre.”

“Inventem um veículo.”

“Criem uma cidade.”

Evite mostrar imediatamente como fazer.

Parte da experiência está justamente em descobrir.

Quando alguma coisa cair, em vez de reconstruir para a criança, pergunte:

“O que podemos mudar para ficar mais firme?”

10. Caça ao tesouro dentro de casa

Esconda um pequeno objeto e crie pistas.

A primeira pista leva à segunda.

A segunda leva à terceira.

Por exemplo:

“Procure onde os alimentos ficam gelados.”

Na geladeira existe outra pista:

“Agora vá ao lugar onde descansamos durante a noite.”

E assim por diante.

Crianças maiores também podem criar uma caça ao tesouro para os adultos.

Essa inversão costuma ser especialmente divertida, porque agora elas precisam pensar nas pistas.

11. O saco misterioso

Coloque alguns objetos seguros dentro de uma sacola que não permita enxergar seu interior.

A criança coloca a mão sem olhar e tenta identificar o objeto apenas pelo toque.

Pode haver:

  • Colher;
  • Bolinha;
  • Bloco;
  • Escova;
  • Carrinho;
  • Lápis;
  • Pequeno brinquedo.

Antes de dar a resposta, peça:

“Descreva o que você está sentindo.”

É duro?

Macio?

Redondo?

Possui pontas?

A descrição pode ser tão divertida quanto a descoberta.

12. Mímica em família

Escrevam atividades, animais ou personagens em cartões.

Um participante pega um cartão e representa sem falar.

Pode ser:

Escovar os dentes.

Jogar futebol.

Um macaco.

Um astronauta.

Alguém tentando pegar um peixe.

Os outros tentam descobrir.

Quanto mais dramáticos forem os participantes, melhor.

13. Inventem um novo final para uma história conhecida

Escolham uma história que todos conheçam.

Então façam a pergunta:

“E se tivesse terminado de outra maneira?”

E se o vilão virasse amigo?

E se o personagem tivesse escolhido outra estrada?

E se a história acontecesse no futuro?

Cada integrante da família pode inventar seu próprio final.

Crianças maiores podem escrever o resultado; menores podem contar ou desenhar.

14. Crie seu próprio jogo de tabuleiro

Papel ou cartolina, lápis, um dado e pequenos objetos podem ser suficientes.

Desenhem um caminho com várias casas.

Depois inventem as regras:

“Avance duas.”

“Volte uma.”

“Conte uma piada para continuar.”

“Imite um animal.”

“Conte uma coisa boa que aconteceu esta semana.”

“Fique uma rodada sem jogar.”

As crianças podem ajudar a criar personagens, obstáculos e objetivo final.

Aqui está uma diferença interessante: elas não estão apenas jogando.

Estão criando as regras do próprio jogo.

15. O desafio das cinco palavras

Escolham cinco palavras completamente diferentes:

banana – foguete – avó – chuva – cachorro

Agora cada participante precisa inventar uma pequena história utilizando todas elas.

Quanto mais improvável a combinação, mais interessante pode ficar.

Para crianças menores, utilize três palavras.

Para as maiores, aumente o desafio para sete ou dez.

16. Jogos de conversa durante as refeições

Nem todo jogo precisa acontecer sentado no chão ou ao redor de um tabuleiro.

No jantar, experimente:

“Isso ou aquilo?”

Praia ou montanha?

Voar ou ficar invisível?

Viajar para o passado ou para o futuro?

Ter um elefante minúsculo ou uma formiga gigante?

Depois da escolha, vem a parte mais interessante:

“Por quê?”

É nesse momento que a brincadeira se transforma em conversa.

17. Inventem um produto absurdo

Apresente dois objetos ou ideias que normalmente não combinam.

Por exemplo:

sapato + guarda-chuva

Agora a criança precisa inventar um produto que misture os dois.

Como funciona?

Para quem serve?

Qual é o nome?

Quanto custaria?

Ela pode até desenhar um anúncio em papel.

Crianças maiores podem fazer uma pequena apresentação tentando convencer a família a comprar sua invenção.

18. O minuto da memória

Coloque alguns objetos sobre uma mesa.

Todos observam durante determinado tempo.

Depois cubra os objetos com um pano.

Quem consegue lembrar mais?

Outra variação:

Retire secretamente um dos objetos.

Tire o pano e pergunte:

“O que desapareceu?”

É simples, rápido e pode ser repetido com objetos diferentes.

19. Crie uma história usando desenhos

Uma pessoa desenha algo simples.

A próxima acrescenta um elemento.

Depois outra acrescenta mais alguma coisa.

No final, observem o desenho e criem uma história explicando tudo o que apareceu.

Um sol.

Uma casa.

Um dinossauro.

Um guarda-chuva.

Uma nave espacial.

Agora a família precisa explicar por que todas essas coisas estão na mesma história.

É aí que a imaginação trabalha.

20. Deixe as crianças inventarem o jogo

Talvez esta seja uma das melhores propostas.

Entregue alguns materiais:

  • Papel;
  • Lápis;
  • Dados;
  • Tampinhas;
  • Cartões;
  • Objetos pequenos.

E diga:

“Vamos inventar um jogo.”

Pergunte:

Qual é o objetivo?

Como alguém vence?

Quantas pessoas podem jogar?

O que acontece em cada rodada?

Existem penalidades?

Existem bônus?

As regras provavelmente precisarão ser ajustadas enquanto vocês jogam.

E isso também faz parte da experiência.

Não tenha medo de mudar as regras

Jogos em família não precisam seguir sempre exatamente o que está escrito em uma caixa.

Se uma regra torna o jogo difícil demais para a criança menor, adaptem.

Se o jogo está demorando muito, encurtem.

Se surgiu uma ideia mais divertida, experimentem.

Quando todos concordam com as alterações antes de continuar, modificar uma regra também pode ensinar algo interessante sobre negociação e convivência.

Quando alguém perder

Jogos também trazem frustração.

Nem sempre a criança vencerá.

Nem sempre os adultos vencerão.

Pode haver decepção.

Esse momento não precisa ser evitado a qualquer custo, mas também não deve ser usado para provocar ou humilhar.

Os adultos podem demonstrar pelo exemplo:

“Eu queria ganhar, mas dessa vez você ganhou. Vamos jogar novamente outro dia.”

Aprender a participar de uma atividade sem controlar o resultado também faz parte das experiências compartilhadas.

Crie uma caixa de jogos offline

Para facilitar, mantenha alguns materiais básicos juntos:

CAIXA DE JOGOS DA FAMÍLIA

  • Baralho;
  • Dados;
  • Papel;
  • Lápis;
  • Canetinhas;
  • Cartões em branco;
  • Bloco de desenho;
  • Pequenos objetos para usar como peças;
  • Jogos de tabuleiro que a família já possui.

Quando surgir um período livre, não será necessário procurar materiais pela casa inteira.

A caixa já estará pronta.

Crie um ritual de jogos em família

Talvez sexta-feira depois do jantar.

Talvez domingo à tarde.

Ou somente uma vez por mês.

O importante é encontrar uma frequência que a família realmente consiga manter.

Também deixe as crianças se revezarem na escolha.

Nesta semana uma escolhe.

Na próxima, outra pessoa decide.

Assim, todos participam da construção do momento.

O jogo não precisa ensinar alguma matéria para ter valor

Existe uma tendência de avaliar atividades infantis perguntando:

“Mas o que meu filho está aprendendo com isso?”

Nem toda brincadeira precisa ensinar matemática, leitura ou ciências diretamente.

Uma criança também precisa:

imaginar,

rir,

conversar,

inventar,

esperar,

negociar,

experimentar,

contar histórias

e simplesmente brincar.

Essas experiências também fazem parte da infância.

Quando desligamos a tela, não precisamos desligar a diversão

Reduzir telas pode parecer difícil quando a alternativa apresentada é apenas:

“Agora você não pode jogar.”

Existe uma diferença enorme quando a proposta passa a ser:

“Vamos jogar outra coisa juntos?”

Uma folha de papel pode virar tabuleiro.

Uma colher pode virar objeto misterioso.

Cinco palavras aleatórias podem criar uma história completamente absurda.

Uma caixa vazia pode virar castelo, carro ou nave espacial.

E uma simples mesa da cozinha pode se tornar o lugar onde pais e filhos riem, inventam histórias e descobrem coisas uns sobre os outros.

Esse talvez seja o maior valor dos jogos offline em família.

Não está apenas no jogo.

Está no que acontece entre as pessoas enquanto estão jogando.

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